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02/19/2013 | News release
distributed by noodls on 02/19/2013 20:07
"Menos, presidente Dilma. Menos". Este foi o recado do Líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), endereçado ao Palácio do Planalto e a membros do governo, após a presidente da República ter anunciado medidas que, segundo ela, irão "zerar o cadastro de pessoas que vivem na miséria no país". O Líder do PSDB lembrou, no Plenário, que Dilma já havia afirmado que pretendia pôr fim à pobreza extrema "ainda no início de 2014", prazo alterado posteriormente para março deste ano. "É voluntarismo para ninguém pôr defeito, convenhamos. Quer dizer, daqui a 15 dias, vai acabar a extrema pobreza no Brasil. Vejam os senhores que coisa maravilhosa. E esse triunfalismo esteve novamente presente no ato ocorrido hoje no Palácio do Planalto", disse Aloysio.
O senador tucano destacou o lançamento, pela presidente Dilma, do novo slogan no programa de combate à pobreza: "o fim da miséria é só o começo". Para o senador Aloysio, a frase remete a um discurso do ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill, feito quando a Inglaterra venceu uma batalha no norte da África. Na época, a frase "esse não é o começo do fim, é o fim do começo" teria sido dita por Churchill.
"O marqueteiro João Santana, captando esta mensagem churchilliana, deu-lhe uma nova roupagem, e ela se transformou no mais slogan do Governo Dilma, agora para anunciar o fim da miséria extrema", afirmou Aloysio Nunes.
Num discurso em que exaltou o ex-presidente Lula e fez críticas aos programas sociais existentes antes do início do governo do PT em 2003, a presidente Dilma Rousseff criticou o que chamou de "correntes conservadores que quase empurram o mundo para o abismo da crise". Dilma disse que essas correntes não entendem o país e seu modelo de desenvolvimento que, segundo ela, se diferencia do que acontece atualmente em várias partes do mundo.
Para o Líder do PSDB, a presidente, com suas declarações, revela "um profundo desconhecimento da história recente do Brasil". Aloysio reiterou ser muita "presunção" de Dlma imaginar que a luta contra a pobreza começa com a chegada do presidente Lula ao governo. O Líder do PSDB enumerou alguns dos programas que foram criados por governos anteriores, como o Funrural, instituído em 1971 pelo regime militar e que ampliava a assistência ao trabalhador rural, que dois anos depois da sua criação, passou a atender também pescadores e garimpeiros.
"A Constituição de 1988 foi um marco fundamental na luta contra a pobreza no nosso país. Ali está um programa de ação para todas as forças progressistas e democráticas, não apenas do PT, não apenas slogan de propaganda petista. Foi na Constituição de 1988, aliás, que esse que era o Funrural transformou-se na aposentadoria rural, vinculada ao salário mínimo, a aposentadoria rural de um salário mínimo, que retirou da miséria milhões e milhões de pessoas que viviam do trabalho agrícola e que não tinham condições de comprovar o recolhimento à Previdência Social. É também da herança da Constituição de 1988 a Lei Orgânica de Assistência Social, que instituiu dois programas com o valor de 1 salário mínimo de benefício, com impacto bastante positivo na redução da pobreza, que é a Previdência Rural e o Benefício de Prestação Continuada. Tudo isso para chegar depois ao governo Fernando Henrique Cardoso, onde foi instituída a Bolsa Escola, onde foram instituídas outras formas de transferência direta de renda para as pessoas mais pobres, como o Vale-Gás, como o auxílio para as pessoas gestantes, que Lula fez bem em unificar em um único programa. Tudo isso não caiu do céu, não foi inventado pelo PT", disse Aloysio.
Apesar de todas as iniciativas tomadas por diversos governos nas últimas décadas, ainda há, de acordo com Aloysio, "uma pobreza torpe que precisa ser combatida". O Líder do PSDB elogiou o esforço de todos os governos, não apenas o federal mas os estaduais, para reduzir os níveis de pobreza no país, mas fez um reparo: a condição de extrema pobreza não deve ser avaliada e estimada apenas pelo nível de renda monetária da população.
"A situação da extrema pobreza é medida também pelo acesso à escola, pelo acesso ao saneamento básico, pelo acesso à água potável, pelo acesso à segurança pública, pelo acesso a uma saúde decente. Tudo isso constitui a soma de situações adversas. Cada uma dessas facetas constitui uma situação de extrema pobreza. Eu me pergunto o que está fazendo o Governo do PT para enfrentar todas essas questões que, somadas, configuram uma situação extremamente difícil para a maioria do povo brasileiro", afirmou Aloysio Nunes Ferreira, lamentando ainda, ao final de seu discurso no Plenário, que a grave situação das contas públicas e a volta da inflação pode vir a colocar por terra os esforços para redução da extrema pobreza no Brasil.
"A carestia é uma mão cruel, porque a mão bondosa, propagandista da presidente Dilma, lança mais um programa - "O fim da miséria é o começo" -, mas, com a outra mão, a mão da carestia, a mão da inflação, sobretudo nos gêneros de primeira necessidade, tira o pouco que acaba de dar", concluiu o Líder do PSDB.