Not yet a member?Join now!|Lost password
02/19/2013 | News release
distributed by noodls on 02/19/2013 20:07
O economista Mansueto Almeida afirmou que a manipulação das contas públicas feita pelo governo federal é algo que se manifesta em diversas esferas da gestão petista e que esconde a incapacidade em investir de maneira eficiente nas políticas sociais.Mansueto falou sobre o tema durante o seminário "Contabilidade criativa: a maquiagem das contas públicas e suas consequências", promovido pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV).
Uma das faces da contabilidade falsa do governo federal são os acúmulos dos restos a pagar, como definiu o economista. Isso ocorre, segundo ele, quando o governo não consegue executar seu orçamento e o montante destinado a áreas específicas permanece disponível - e com finalidade imutável - para o exercício fiscal seguinte. Sugere-se um cenário de bonança, mas na verdade o que ocorre é um acúmulo resultante de falhas gerenciais.
Mansueto, especialista em finanças públicas, disse que o governo Dilma Rousseff aplica seus recursos de maneira similar aos países que precisam reverter uma grave crise - mesmo que o Brasil não viva, ao menos no atual momento, este cenário. "É comum que países que passam por dificuldades tenham um grande aumento de medidas assistencialistas, como seguro-desemprego e pensões. Geralmente, isso se reverte quando a crise passa. Porém, o Brasil tem condição oposta - não está em crise e gasta como se estivesse. As despesas com assistencialismo não param de crescer. Isso será cobrado em algum momento", destacou. A despesa primária, conjunto de débitos que contempla estes investimentos, elevou-se em 3,7% do PIB entre 1999 e 2012 - e 84% deste crescimento é explicado pelo aumento dos custeios de benefícios como pensões e LOAS (valor pago a famílias carentes).
Uma medida que poderia alterar esta situação seria o aumento dos investimentos públicos, bem como a instalação de uma política industrial bem-sucedida. Algo distante de ocorrer no Brasil, como relata Mansueto: "aqui não há algo que passe perto de uma boa política industrial. As companhias são estimuladas a produzir mais do mesmo, ao invés de diversificar suas atividades. Não criamos tecnologia e repetimos o foco nas commodities", observou.
Para ele, o debate sobre a economia nacional fica ainda mais fragilizado quando se constata que o Orçamento federal é algo que, na prática, tem pouca efetividade. "O governo pode deixar de gastar e não é punido por isso como deveria", citou. Como contrapartida, o economista destacou o largo debate ocorrido nos EUA durante a crise no biênio 2008/2009, quando os presidentes George W. Bush e Barack Obama precisaram expor suas razões no Congresso para solicitar a aprovação de um projeto cuja interferência no PIB local era significativamente menor do que a presente nas ações similares dos governos petistas.