Not yet a member?Join now!|Lost password
12/05/2012 | Press release
distributed by noodls on 12/05/2012 17:15
Na Câmara, produtores pedem política pública sólida para o setor. Deputado Luis Carlos Heinze propõe criação de grupo de trabalho para debater o assunto com os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e da Indústria e Comércio.
Arquivo/ Leonardo Prado
Luis Carlos Heinze espera negociar com o Executivo solução para as demandas dos produtores de trigo.
Em debate na Câmara sobre as políticas agrícolas do Brasil dentro do Mercosul, realizado nesta quarta-feira (5), o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Sérgio Silva do Amaral, afirmou que o produtor de trigo precisa de proteção contra a "concorrência desleal da Argentina".
Segundo ele, a farinha de trigo da Argentina entra no Brasil com preço abaixo do preço de mercado. "Com isso, o crescimento da exportação da farinha de trigo da Argentina para o Brasil cresceu 332%", afirmou.
Ao concordar com Amaral, o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, ressaltou que o Brasil tem potencial para produzir mais trigo, mas falta política pública para o setor.
Os debatedores participaram de audiência pública promovida pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e requerida pelos deputados Eduardo Sciarra (PSD-PR), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Moreira Mendes (PSD-RO) e Eleuses Paiva (PSD-SP).
Vontade política
Koslovski destacou as medidas necessárias para aumentar a
produção nacional de trigo. Entre elas, vontade política
para inserção do produto na pauta do agronegócio; interação
entre todos os atores da cadeia do trigo; definição de
política de comércio externo, especialmente no Mercosul; e
políticas públicas claras para o cereal.
Neste ano, informou o presidente da Ocepar, a área
cultivada do produto foi de 1,88 milhão de hectares,
"quando o potencial é de 5 milhões de hectares". Já a
estimativa da produção é de 5,2 milhões de toneladas para
um potencial de 14 milhões. Segundo Koslovski, com uma
política consistente para o setor, a demanda interna seria
suprida. "Por causa da falta de estímulo, a produção de
trigo no Paraná caiu 30% nas duas últimas safras",
alertou.
Grupo de trabalho
Na tentativa de encontrar uma solução para o problema, Luis
Carlos Heinze propôs a formação de um grupo de trabalho
para debater o assunto com os ministérios da Agricultura,
das Relações Exteriores e da Indústria e Comércio. O
diretor de Assuntos Comerciais da Secretaria de Relações
Internacionais do Ministério da Agricultura, Benedito do
Espírito Santo, afirmou que o ministério está à disposição
para discutir as dificuldades do setor de trigo e buscar
uma solução.
Por sua vez, Orlando Leite Ribeiro, chefe da Divisão de Agricultura e Produtos de Base do Ministério das Relações Exteriores, adiantou que a melhor solução para o problema seria investir no setor produtivo. Em sua avaliação, a imposição de medidas antidumping teria impacto indesejado para a indústria brasileira, que exporta outros produtos para a Argentina.