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02/19/2013 | News release
distributed by noodls on 02/19/2013 20:07
O economista José Roberto Afonso afirmou que a falta de transparência do governo federal para a gestão das contas públicas leva o Brasil a uma situação próxima à instalação de uma crise. "Há uma série de equívocos que se repetem, e uma hora essa bolha vai estourar. O ressurgimento da inflação é até mesmo a consequência mais 'leve' entre as que podem aparecer", declarou.
Afonso foi um dos palestrantes do seminário "Contabilidade criativa: a maquiagem das contas públicas e suas consequências", promovido pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), nesta terça-feira (19). A atividade contou com a presença do presidente do partido, deputado federal Sérgio Guerra (PE), do presidente do ITV, Tasso Jereissati, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e os líderes do partido na Câmara, Carlos Sampaio (SP), e no Senado, Aloysio Nunes (SP), entre outros parlamentares.
O economista diz que as recentes manobras promovidas pela gestão petista têm sido ironizadas por profissionais do mercado financeiro no exterior. "Quando comentamos o que se passa aqui, as sofisticadas táticas do governo federal, nos perguntam qual foi a justificativa oficial apresentada pela Presidência para isso. Fica até difícil acreditarem quando falamos que não houve transparência, apenas duas entrevistas concedidas pelo ministro da Fazenda e uma do secretário do Tesouro", afirmou.
Segundo Afonso, uma das maiores consequências da política monetária empreendida recentemente pelo PT é a criação do que o economista denominou de "banco do tesouro" - ou seja, uma participação expressiva do Tesouro Nacional no fomento às atividades econômicas. Os recursos do Tesouro representam hoje 16,1% do PIB e 30% do crédito do sistema financeiro. É uma situação única entre os países emergentes, de acordo com o economista.
Caminhos para a dívida - O descrédito pelo qual passa a economia brasileira é fruto de uma série de medidas, criadas pelos petistas, que criaram o arcabouço que possibilitou um cenário onde maquiagens nas contas públicas são livremente executadas. Entre essas ações, Afonso destaca a dispensa, por parte de empresas estatais, do cumprimento de metas de superávit e dívida - as companhias se tornam menos obrigadas a prestar contas do que o desejável. Outra situação ressaltada pelo economista é o recebimento excessivo de dividendos antecipados por parte do Tesouro Nacional, o que compromete a credibilidade dos procedimentos.
Como resultado dessas situações, a dívida bruta do Brasil evolui a cada ano. O economista ressalta que, para rebater esse quadro, as autoridades nacionais recorrem aos indicadores sobre a dívida líquida, mais favoráveis aos petistas. O parâmetro, porém, é pouco representativo. "Não faz sentido usar a dívida líquida como referência. Ela não reflete com precisão a saúde econômica de um país. Tanto é que esse indicador é pouco usado no restante do planeta", afirmou. A evolução da dívida bruta entre agosto de 2008 e dezembro de 2012, relatou Afonso, foi de 7,6%.